Desempenho e Cultura Organizacional: medir apenas o que é entregue não basta

Desempenho e Cultura Organizacional: medir apenas o que é entregue não basta

Você já parou para pensar por que algumas empresas conseguem manter um desempenho excepcional ao longo do tempo, enquanto outras, mesmo com profissionais talentosos, parecem não decolar? Ou por que certos colaboradores com ótimos resultados acabam deixando a empresa — e levando com eles clientes, conhecimento e até parte da confiança da equipe?

A resposta pode estar em um aspecto ainda negligenciado por muitas organizações: o alinhamento entre desempenho e cultura organizacional. Por décadas, as empresas se concentraram quase que exclusivamente em métricas quantitativas — vendas realizadas, prazos cumpridos, projetos entregues. Mas uma transformação silenciosa está em curso no mundo corporativo, e ela vem mudando a forma como avaliamos o sucesso.

Neste artigo, você vai entender por que medir apenas o que é entregue não basta mais — e como empresas inovadoras estão integrando cultura, valores e comportamentos nos seus sistemas de avaliação de desempenho. Vamos nessa?

Por que a avaliação tradicional de desempenho está falhando?

A avaliação tradicional de desempenho, focada exclusivamente em resultados quantitativos, apresenta limitações significativas no ambiente de trabalho contemporâneo:

– Visão parcial: Medir só as entregas ignora como o trabalho é realizado e o impacto no clima e na sustentabilidade dos resultados.

– Comportamentos tóxicos: Sistemas que valorizam apenas números acabam recompensando atitudes que minam a cultura organizacional, como competição excessiva e foco no curto prazo.

– Desalinhamento com valores: Colaboradores podem atingir todas as metas enquanto desrespeitam princípios fundamentais da empresa.

– Desmotivação de talentos: Profissionais que valorizam propósito e colaboração tendem a se sentir desvalorizados em modelos que reconhecem apenas indicadores financeiros.

Segundo a McKinsey, empresas que avaliam desempenho de forma mais ampla têm 4,2 vezes mais chances de superar concorrentes, com crescimento de receita 30% maior e rotatividade menor. O recado é claro: medir só as entregas não é apenas limitante — é prejudicial ao negócio.

A mudança de paradigma: do “o quê” para o “como”

Uma tendência crescente na avaliação de desempenho é equilibrar o que os funcionários entregam (resultados) com a forma como realizam seu trabalho (comportamentos e valores).

Hoje, cerca de 3 em cada 5 empresas líderes já consideram ambos os aspectos em suas avaliações, entendendo que o método é tão importante quanto o resultado final.

O “O Quê”: Métricas Tradicionais

Ainda essenciais, essas métricas incluem:

– KPIs (Indicadores-Chave de Desempenho)

-Metas quantificáveis

-Prazos cumpridos

-Resultados financeiros

O “Como”: Dimensão Cultural e Comportamental

Avalia aspectos como:

– Alinhamento com valores da empresa

– Colaboração e trabalho em equipe

– Comunicação transparente

– Decisões éticas

– Desenvolvimento de pessoas

– Adaptabilidade e resiliência

Para integrar esses dois mundos, muitas organizações adotam OKRs (Objetivos e Resultados-Chave), onde objetivos são metas qualitativas e aspiracionais, e resultados-chave são métricas para medir o progresso.

Além de uma simples avaliação

Empresas inovadoras já ultrapassaram o modelo tradicional de avaliação de desempenho e adotam o que algumas grandes empresas, como a Deloitte, chamam de “engenharia de desempenho humano no fluxo do trabalho”.

Essa abordagem entende que o desempenho não é um evento isolado, mas algo a ser construído e desenvolvido continuamente no dia a dia. Para isso, as organizações estão criando uma cultura de desempenho humano e redesenhando práticas de trabalho.

Um exemplo inspirador é a McLaren Racing. Daniel Gallo, diretor de pessoas e sustentabilidade, afirma: “Desempenho humano é igual a desempenho do carro, e isso é nosso diferencial competitivo.”

A empresa investiu em bem-estar físico e mental, oferecendo acesso a médicos internos, psicólogos e treinadores, o que contribuiu para conquistar o primeiro lugar no Campeonato de Construtores de 2024.

Ainda, a Roche, por exemplo, usou tecnologia para acelerar o aprendizado dos engenheiros, reduzindo o tempo para atingir competência de 1,5 ano para apenas 90 dias.

Isso elevou a produtividade, diminuiu a rotatividade e aumentou a satisfação dos clientes.

Essas iniciativas mostram como integrar cultura organizacional e desempenho humano gera resultados sustentáveis e competitivos.

Feedback contínuo

O feedback contínuo (clique aqui para aprender a oferecer feedbacks realmente relevantes) é uma prática que vem se destacando por promover uma gestão mais eficiente e alinhada com a cultura organizacional e o desempenho sustentável.

Por que funciona melhor?

– Correção em tempo real: Problemas são identificados e ajustados antes de se tornarem críticos.

– Reconhecimento imediato: Comportamentos positivos são reforçados quando ainda estão frescos.

– Redução da ansiedade: Elimina o estresse associado a avaliações únicas e de alto impacto.

– Desenvolvimento acelerado: O aprendizado é constante, não pontual.

Formatos eficazes de feedback contínuo:

– Check-ins semanais ou quinzenais entre gestores e colaboradores.

– Sessões trimestrais mais estruturadas para revisão de progresso.

– Plataformas digitais que permitem feedback instantâneo entre colegas.

– Momentos de reconhecimento em tempo real.

Um bom exemplo é o Standard Chartered, que implementou um programa robusto para desenvolvimento de gestores, focado em construção de confiança, alinhamento de equipes e coaching. Essa iniciativa criou uma comunidade de líderes que aprendem continuamente e fornecem feedback de qualidade para suas equipes, fortalecendo a cultura organizacional e o desempenho.

Avaliação compartilhada: além da visão unilateral

Uma tendência crescente na gestão de desempenho é a transição da avaliação feita apenas pelo gestor para uma abordagem mais colaborativa e multidimensional.

Avaliação 360°

Apesar de eficaz, apenas 40% das empresas utilizam avaliações que incluem feedback de diversas fontes:

– Gestor direto

– Colegas de equipe

– Subordinados (quando aplicável)

– Clientes internos e externos

– Parceiros de outras áreas

Comitês de Avaliação

Para decisões críticas, como promoções e programas de desenvolvimento, muitas organizações adotam comitês que:

– Reúnem múltiplas perspectivas

– Reduzem vieses individuais

– Garantem critérios consistentes

– Avaliam tanto o “o quê” quanto o “como”

Um exemplo avançado é um grande varejista online europeu que foca a gestão de desempenho na equipe, não no indivíduo. Metas, feedback e avaliações são feitos coletivamente, promovendo alinhamento cultural e desempenho sustentável.

Recompensas alinhadas à cultura: além do bônus financeiro

Empresas líderes estão repensando seus sistemas de recompensa para que estejam alinhados à cultura organizacional, reconhecendo que dinheiro não é o único — e nem sempre o melhor — motivador.

Quatro pilares de recompensa:

– Compensação financeira: salários, bônus e participação nos resultados

– Progressão na carreira: promoções e novos desafios

– Oportunidades de desenvolvimento: treinamentos e mentorias

– Reconhecimento: celebração pública de conquistas e comportamentos exemplares

Pesquisa da McKinsey revela que motivadores não financeiros — como elogios de gestores, atenção da liderança e chances de liderar projetos — podem ser tão eficazes quanto incentivos financeiros.

Um exemplo prático é o programa global “We Care” da AXA, que oferece benefícios abrangentes de bem-estar, resultando em melhorias nos resultados humanos e financeiros da empresa.

Como implementar uma avaliação de desempenho alinhada à cultura

Se sua empresa quer avançar além de medir só entregas, considere estes passos:

– Defina seus valores culturais: Trabalhe com líderes e equipes para mapear valores e comportamentos esperados — e o que é inaceitável.

– Crie um sistema ágil de gestão de desempenho: Permita ajustes rápidos, feedbacks imediatos e reconhecimento em tempo real.

– Capacite gestores para avaliar o “como”: Invista em treinamento e ferramentas para avaliação comportamental consistente.

– Use tecnologia estrategicamente: Plataformas de feedback contínuo, reconhecimento entre pares e análises com IA podem ajudar muito.

– Revise seu sistema de recompensas: Valorize resultados e comportamentos, crie reconhecimentos culturais e conecte promoções ao alinhamento com valores.

Alinhar avaliação de desempenho e cultura organizacional é hoje uma necessidade estratégica para resultados sustentáveis. Quando valores, comportamentos e atitudes entram no radar, o alto desempenho é sustentado pela cultura — e vice-versa.

Como diz a Deloitte, “a cultura deve apoiar a valorização igualitária dos resultados de negócios e humanos para potencializar o desempenho.”

Sua empresa está pronta para ir além do “o quê” e valorizar também o “como”?

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