Orçamento 2026: como equilibrar mérito, promoções e ajustes estruturais

Orçamento 2026: como equilibrar mérito, promoções e ajustes estruturais

Você já se viu diante daquele momento crítico do ano em que precisa decidir como distribuir o orçamento de remuneração da sua equipe? Cada escolha parece um dilema entre reconhecer o desempenho excepcional, promover talentos promissores ou corrigir distorções salariais acumuladas ao longo do tempo.

Definir o orçamento de remuneração vai muito além de aplicar percentuais. É uma decisão estratégica que afeta engajamento, retenção e competitividade — pilares que sustentam a performance organizacional.

Em 2026, esse desafio será ainda maior. A economia em transformação, as novas exigências de transparência salarial e a disputa por talentos exigem que as empresas adotem uma abordagem mais estratégica e orientada por dados. É por isso que, neste artigo, exploraremos como equilibrar mérito, promoções e ajustes estruturais no Orçamento 2026, maximizando o impacto das decisões de remuneração.

Os riscos de uma má distribuição

Distribuir o orçamento sem critérios claros pode comprometer tanto o clima organizacional quanto os resultados financeiros.

Quando o equilíbrio entre mérito, promoções e ajustes é negligenciado, os efeitos aparecem rapidamente:

  • Percepção de injustiça: falta de clareza entre desempenho e remuneração mina a confiança no sistema.
  • Desmotivação dos melhores talentos: aumentos uniformes desvalorizam quem entrega mais.
  • Falta de perspectiva: ausência de verba para promoções bloqueia o crescimento interno.
  • Perda de competitividade: defasagens salariais corroem o senso de equidade e dificultam a retenção.

Uma pesquisa da Mercer aponta que empresas com políticas percebidas como injustas ou pouco transparentes têm taxas de turnover até 35% maiores que a média. Além do custo direto de reposição, há perda de conhecimento, produtividade e relacionamento com clientes.

Decisões empíricas versus planejamento estratégico

Muitas empresas ainda tomam decisões sobre remuneração de forma empírica e reativa, sem um planejamento adequado. Essa abordagem traz riscos significativos:

  • Inconsistência nas decisões: Sem critérios claros, gestores diferentes podem tomar decisões inconsistentes, gerando percepção de favoritismo.
  • Reatividade a pressões pontuais: Aumentos concedidos apenas em resposta a ameaças de saída criam precedentes problemáticos e incentivam comportamentos negativos.
  • Falta de visão de longo prazo: Decisões tomadas sem considerar o impacto futuro podem criar distorções difíceis de corrigir posteriormente.
  • Dificuldade de justificativa: Sem dados e critérios objetivos, torna-se difícil explicar e defender as decisões de remuneração.

Empresas que não têm um processo estruturado de planejamento orçamentário para remuneração acabam gastando mais e obtendo resultados piores. É como dirigir um carro vendado, fazendo correções bruscas a cada obstáculo que surge.

Do foco em contratação para o foco em retenção

Desde 2023, observa-se uma mudança de mentalidade nas organizações. Se antes o orçamento era voltado principalmente à atração de novos talentos, agora o foco é reter e desenvolver quem já está na casa.

“É mais estratégico e econômico investir em valorização interna do que entrar em guerras salariais por novos profissionais”, explica Susan Wilson, especialista em remuneração.

Essa mudança se reflete diretamente na alocação dos recursos: mais peso para reconhecimento por mérito, oportunidades de crescimento e ajustes que garantam equidade e competitividade.

Os três pilares do Orçamento 2026

Um Orçamento 2026 eficiente deve equilibrar três componentes essenciais — cada um com papel específico na estratégia de remuneração.

  • Mérito: reconhecer quem faz a diferença

Os aumentos por mérito recompensam o desempenho individual. A WorldatWork projeta que, em 2025, o orçamento médio global para aumentos por mérito será de 3,5%.

A diferenciação é essencial: aumentos muito próximos entre desempenhos distintos diluem o impacto e desmotivam os melhores.

  • Promoções: impulsionando crescimento

As promoções não apenas ajustam salários, mas sinalizam avanço de responsabilidades e reconhecimento de potencial. Pesquisas indicam que as empresas devem promover cerca de 10% dos funcionários em 2025, com reajustes de 8% a 15%.

Organizações que realizam promoções de forma ágil — sem depender de ciclos anuais — costumam ter maior sucesso na retenção de talentos. Reconhecer o momento certo é decisivo para não perder profissionais prontos para o próximo passo.

  • Ajustes estruturais: garantindo equidade e competitividade

Os ajustes estruturais corrigem distorções salariais e mantêm a empresa competitiva. Incluem correções de equidade, revisões de faixas e adequações a pisos ou mudanças de mercado.

Mesmo representando apenas 0,5% da folha salarial, segundo a WorldatWork, esse componente é estratégico. Ignorá-lo pode gerar riscos legais e de imagem, especialmente diante das novas leis de transparência.

Como dividir o Orçamento 2026 de forma estratégica

Não há fórmula única, mas é possível seguir parâmetros de mercado adaptados a diferentes contextos organizacionais:

  • Empresas em crescimento:

Mérito: 45–50%

Promoções: 30–35%

Ajustes estruturais: 15–20%

  • Empresas em estabilidade:

Mérito: 55–60%

Promoções: 20–25%

Ajustes estruturais: 15–20%

  • Empresas em transformação:

Mérito: 40–45%

Promoções: 15–20%

Ajustes estruturais: 35–40%

O ideal é que a distribuição reflita os objetivos estratégicos do negócio. Uma startup em expansão tem necessidades muito diferentes de uma organização consolidada que busca corrigir distorções internas.

Alguns critérios também ajudam a orientar as decisões:

  • Analisar gaps competitivos e priorizar áreas com maior defasagem de mercado.
  • Mapear riscos de retenção, direcionando recursos para funções críticas.
  • Alinhar com a estratégia corporativa, reforçando as prioridades do negócio.
  • Revisar equidade interna para prevenir distorções e passivos futuros.

Uma empresa brasileira de tecnologia que adotou esse modelo reduziu o turnover voluntário em 28% em um ano, sem aumentar o orçamento total. “O segredo não foi gastar mais, mas gastar melhor”, destacou seu diretor de RH.

Gestores: o elo entre estratégia e execução

O sucesso do Orçamento 2026 depende diretamente dos gestores. Eles são responsáveis por avaliar desempenho, recomendar aumentos e comunicar decisões com clareza.

Apesar disso, apenas 32% dos gestores se sentem confiantes para conduzir conversas sobre remuneração, segundo a Mercer. Investir na capacitação desses líderes é crucial.

Empresas que treinam gestores para discutir remuneração de forma transparente observam ganhos expressivos. Uma organização de serviços profissionais registrou melhoria de 41% na percepção de justiça após implementar um programa de treinamento sobre o tema.

Conclusão: um orçamento que gera valor

À medida que 2026 se aproxima, o planejamento orçamentário precisa ser mais estratégico, transparente e conectado aos objetivos de negócio.

Equilibrar mérito, promoções e ajustes estruturais é o que diferencia empresas que apenas distribuem aumentos daquelas que usam o orçamento como ferramenta de engajamento e competitividade.

Para guiar esse processo, cinco princípios fundamentais:

  • Alinhamento estratégico: conecte o orçamento aos objetivos corporativos.
  • Diferenciação real: recompense desempenho e contribuição.
  • Transparência e comunicação: estabeleça critérios claros e dialogue com as equipes.
  • Flexibilidade controlada: permita ajustes táticos dentro de uma estrutura sólida.
  • Visão de longo prazo: pense além do ciclo anual, fortalecendo a sustentabilidade do modelo.

Planejar o Orçamento 2026 é mais do que um exercício financeiro — é uma decisão de gestão de pessoas que impacta engajamento, produtividade e resultados. As empresas que fizerem isso com estratégia colherão os frutos de uma cultura mais justa, meritocrática e competitiva.

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